domingo, 22 de abril de 2018

Vamos falar de teatro?

Já disse tempos atrás que não sou crítico de teatro. Acho mesmo um pouco incompatível a profissão de ator atuante com a de crítico. Mesmo assim vou inaugurar agora uma sessão em que vou me permitir falar do que vejo nos palcos. Do que vejo e principalmente do que gosto.

Curitiba

Em 2018 foi a quinta vez que fui a Curitiba por causa do festival, um dos mais importantes do país. Desta vez estive na equipe do espetáculo "Esquecidos e Recordados", dirigido por Igor Ayres, o mesmo diretor de meus dois últimos trabalhos "Boca de Ouro" e "Dois na Pista"". Somos uma equipe. A dramaturgia do espetáculo é de Luiz Drumond que faz sua estréia na escrita cênica. O trabalho que envolveu pesquisa sobre a situação dos moradores de rua, fala exatamente sobre essa parte da sociedade que pagamos para esquecer. "Esse grande zoológico humano para o qual compramos ingressos para não ver", conforme diz uma das personagens, exatamente a vivida por Luiz Drumond que também é ator no espetáculo. Ele divide a cena com Horácio Martins e Ana Justino. O trio tem uma química interessante o que rende cenas muito boas e uma cumplicidade cênica bem saudável. Ana Justino, uma linda atriz negra, se destaca com sua moradora de rua, a que sofre os piores maus tratos desse arremedo de sociedade em que vivemos. Imagine ser mulher, negra e moradora de rua? O texto tem força (e como poderia não ter falando do que fala?), mas talvez se ressinta um pouco de querer falar muitas coisas num tempo reduzido. O que é aliás, compreensível em quem começa a escrever para teatro especialmente se pretende fazer um teatro mais político, mais engajado em questões sociais. Também há soluções da montagem que não chegam muito em mim, como o uso de máscaras em determinadas cenas, por exemplo. Destaque porém, para a cena em que os três atores manipulam marionetes simulando um estupro. Uma cena perturbadora. O espetáculo se apresentou no Mini-Guaíra, dentro do complexo cultural do Teatro Guaíra que tem outros dois espaços. Uma espécie de Palácio das Artes de Curitiba, dentro do Fringe que é a mostra paralela do festival. O público não foi lá essas coisas, aliás tenho várias ressalvas a participação no Fringe. O Festival de Curitiba acontece durante treze dias, mas são apresentados mais de duzentos espetáculos vindos de todos os lugares do país. A capital paranaense deve ter metade da população de BH, mesmo com os turistas que chegam é difícil encontrar um público satisfatório para tantos espetáculos. O que lota e esgota são os grandes espetáculos da mostra oficial, especialmente os do eixo Rio-São Paulo. Alguns espetáculos do Fringe conseguem emplacar, mas a maioria fica às moscas. Mesmo assim o festival só aumenta de tamanho. Vá entender.
Tive o privilégio de ver três grandes espetáculos da mostra oficial. O excepcional "Suassuna: O Auto do Reino do Sol",  da Cia Barca dos Corações Partidos e com direção de Luiz Carlos Vasconcelos, seguramente um dos melhores espetáculos que vi nos últimos anos. De uma simplicidade, de um despojamento, mas de uma poesia assustadora. Uma trupe genial de bons atores, bons cantores e bons músicos e uma direção precisa do Luiz. Um texto empolgante de Bráulio Tavares que nos remete de imediato ao universo de Ariano Suassuna e ao mesmo tempo às próprias fontes de sua obra, como as tramas medievais que inspiraram inclusive Shakespeare. Há duas histórias correndo no Auto do Reino do Sol, a primeira é de uma trupe de circo que viaja pelo sertão e almeja chegar a Taperoá e a segunda é a história de amor de dois jovens pertencentes a duas famílias rivais que fogem para se encontrar e acabam fugindo com o circo. As canções são de Chico César,  Beto Lemos e  Alfredo Del Penho. O espetáculo até que começa meio morno, uma canção aqui, outra dois minutos depois e eu pensei "Vou ver um show de música?" Mas não, era só um aquecimento para oque nos seria presenteado. Sim, a expressão é essa, presenteado. Um presente que nos foi dado. E assistir a um espetáculo desses num momento tão difícil. Foi exatamente no final de semana da prisão de Lula e de sua ida para a masmorra de Curitiba. E aí nos vem um espetáculo que fala do sertão-mar desse país mestiço, desse país caboclo que se recusa a se enxergar como tal. Encontrei com o crítico Miguel Anunciação na saída do teatro e fomos tomar uma cerveja e ele comentou como ficou impressionado com a reação da platéia. "Parecia que estávamos num teatro da Paraíba e não do Paraná". É que o nordeste é universal meu caro Miguel. É que mesmo com os tempos toscos que estamos vivendo ainda há espaço para a beleza, para apreciarmos a beleza. Encontrei com os atores e com o diretor no Café do Teatro e lhes disse sem vergonha de parecer piegas: Um espetáculo que não só lavou minh'alma, mas também a exaguou e passou amaciante.
E o cavalo? Ou Melhor, e o ator que faz um cavalo? Genial.
A arte nos salva. Quando tudo acabar ainda teremos a arte. A arte e o amor.
Muito confete, né? Eu sou assim com as coisas que gosto.
Tom na Fazenda é outro espetáculo do Rio de Janeiro. (O Auto do Reino do Sol também) E igualmente multipremiado. Vemos também um despojamento, uma simplicidade da encenação (simplicidade é tudo), mas não se engane. Há um jogo perigoso sendo mostrado. Há um delicioso jogo perigoso onde o que conta é o texto, de  Michel Marc Bouchard (mas poderia ser de Sam Shepard de quem ainda vou montar alguma coisa) e o jogo dos atores. Tom é um publicitário e seu namorado morreu. Ele vai para a fazenda da família do namorado para o enterro. A mãe do namorado nunca havia ouvido falar dele e, evidentemente não sabe nada da homossexualidade do filho morto. Mas há outro filho, um jovem truculento com o qual Tom inicia um jogo que...Melhor não falar mais nada, afinal o espetáculo pode vir a BH. Um espetáculo denso, um texto muito instigante e atuações impecáveis, especialmente as de Armando Babaioff que faz Tom e de Gustavo Vaz que encarna o irmão. As outras atrizes do elenco tem menor destaque, afinal a trama principal é o jogo dos dois homens, mas cumprem muito bem o papel. O despojamento dos cenários, apenas uma grande lona que cobre todo o palco, uma lona suja que vira poeira, que vira barro, que vira o lôdo em que estão todos mergulhados naquela fazenda, das relações de amor, ódio e engano que permeiam a trama. Não é preciso mais que uma lona e alguns baldes para construirmos uma fazenda. Essa é a magia do teatro. O que importa é o ator inteiro no palco, com sua voz, com seu corpo, com sua inteligência e sentimento. O resto é fru-fru.
Denise Stoklos em extinção foi o terceiro espetáculo da mostra oficial que vi. Denise Stoklos dispensa comentários. É uma diva. Uma atriz completa. Ela utiliza o texto de Thomas Bernhard para fazer uma reflexão sobre sua vida, sobre sua profissão, sobre sua trajetória. Como já tinha visto outros trabalhos dela confesso que esse não foi o que mais me tocou apesar do tom autobiográfico que o marca, mas é sempre uma alegria ver uma artista do calibre dela em cena. É muito bom ver a arte reagir ao estado de coisas que vivemos nesse país, nesse planeta, no momento presente. "Em Extinção" é um espetáculo político. Ao falarmos de nós, de nosso corpo, de nossos afetos, estamos fazendo política. Ao nos darmos ao luxo de criticarmos nossa própria criação, nossa própria trajetória, colocamos uma espécie de espelho para que a sociedade também se olhe e se critique. Denise de move num cenário em ruínas, restos de um incêndio, a nos lembrar tanto uma carvoaria, como uma cidade em ruínas. É isso. Ela faz um balanço de si como se o próprio mundo ao redor fosse chamado a fazê-lo. As ruínas são o que sobrou do velho mundo e sobre elas temos a oportunidade de edificar um novo mundo. Em Extinção é uma bela metáfora do presente.
Três espetáculos de uma mostra tão grande, mas que me deram uma pílula do que vem sendo pensado e produzido no teatro brasileiro. Um teatro forte, questionador e humano, demasiado humano.
Também tive o privilégio de ver um trabalho bem interessante no Fringe: "Rapsodos", que nada mais é que a dramatização de fragmentos da Íliada e da Odisséia. Três ótimos atores e um trabalho sobre a palavra de dar inveja. Uma aula que deixaria muito satisfeito ao grande mestre Italo Mudado se estivesse vivo.
Na próxima coluna vou falar sobre Preto, espetáculo que também estava em Curitiba, mas que o vi em BH no CCBB.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Estou de volta.
Minha última postagem foi em 2013. 
De lá pra cá me dediquei a outras coisas: escrevi para um jornal de Contagem que não é mais publicado e montei minhas peças. A morte do meu pai em outubro de 2013 me abalou e me fez desistir de algumas coisas, protelar outras. No auge do furacão do golpe eu não cogitava voltar a escrever no blog. O deixei de lado. A vontade de escrever voltou. De falar das coisas que sinto e principalmente de falar de teatro e política.
Faço parte do coletivo de poesia O Grito. Fazemos coisas interessantes lá.
Agora apresento o primeiro texto da nova fase do blog.
É sobre Lula, claro.
Desde que foi julgado pela primeira vez por Sérgio Moro eu sabia que ele seria condenado e preso.
Não sou cientista político e nem Mãe Dinah, mas para mim ficou claro desde o princípio de qual seria o resultado de seu julgamento. Nunca acreditei que o TRF4 mudasse o rumo das coisas e muito menos o STF. Para mim sua prisão seria questão de tempo. Se as pesquisas de opinião pública não o apontassem tão favorito a vencer as eleições de 2018 talvez o resultado fosse outro. E acho que muitos dentro da esquerda pensavam que mesmo com o golpe seria estancado com a eleição de Lula em 2018. Nunca acreditei nesta hipótese.Já haviam rasgado a constituição para afastar Dilma. Por que salvariam Lula?
De qualquer forma aí vai meu texto, o que eu preparei para o retorno deste blog.
É uma livre adaptação do célebre discurso de Marco Antônio nos funerais de Júlio César. É uma pérola da oratória e está em um dos grandes textos de Shakespeare. Nos anos 60 do século passado Millor Fernandes utilizou parte desse discurso no texto teatral "Liberdade, Liberdade". Foi onde o li.
Peço licença a Marco Antônio, Shakesperare e Millor. Peço licença também ao eventual leitor. 


Amigos, brasileiros, cidadãos, prestai-me atenção. 
Vim aqui para enterrar Lula, não para elogiá-lo.  
O mal que os homens fazem permanece depois deles. 
O bem quase sempre é enterrado com os nossos ossos, que seja assim também com Lula.
O nobre promotor da República de Curitiba nos disse que Lula é o chefe do bando. E se isso é verdade, é uma falta muito grave, e Lula pagou por ela gravemente, com sua justa condenação, prisão e morte política. Pois o ilustre promotor de Curitiba é um homem honrado, temente a Deus e assim são todos eles, juízes da primeira e da segunda instância, todos homens honrados e conhecedores dos meandros secretos das leis. 
Venho para falar no funeral político de Lula. 
Ele foi um político com um histórico de lutas impecável. 
Mas o Juiz de Curitiba diz que ele era um bandido. E o juiz de Curitiba é um homem honrado.
Lula trouxe para a cena política milhões de esquecidos. Não era nenhum doutor pela Sorbone, nem nunca foi chamado de príncipe dos sociólogos, mas foi o presidente que mais criou universidades e escolas técnicas. Foi ele que criou o Pro - Uni e o Reuni. Com seus programas milhares de filhos de brasileiros pretos e pobres puderam chegar à universidade. 
Isto vos parecia a atitude de um ladrão, de um homem que vendeu seu governo por um triplex no Guarujá ou um sítio em Atibaia? 
Quantos pobres puderam entrar no mercado de consumo graças às políticas de Lula? Quantos puderam passar a comer, a ter alguma assistência médica, a comprar coisas que antes só viam nos anúncios da televisão e até a viajar? 
Ora, a ambição dos ladrões, e há de fato muitos ladrões no Brasil, torna as pessoas duras e sem compaixão. Entretanto, a grande mídia diz que Lula era um bandido. E a grande mídia é dirigida por homens honrados.
Vocês devem se lembrar que no auge de sua popularidade, quando ele foi capaz de eleger “um poste inexpressivo” como a grande mídia dizia, para dar prosseguimento ao seu trabalho, vocês devem se lembrar que se cogitou em um terceiro mandato, em uma alteração na constituição como fizeram em outros países. 
Mas vocês também devem se lembrar que tal artifício foi negado todas as vezes em que foi sugerido. Ao contrário de seu ilustre antecessor, probo possuidor de apartamento em Paris, que mal havia se sentado na cadeira presidencial e já articulava a aprovação de emenda para reelegê-lo. 
Todos sabem disso ou deveriam saber. E nem estamos falando do antecessor, mas de Lula que, como juízes e promotores dizem, é um ladrão. E juízes e promotores são homens honrados.
Eu não falo aqui para discordar do que o honrado juiz de Curitiba falou. Mas eu tenho que falar daquilo que eu sei. 
Nos anos de Lula o Brasil de fato cresceu ou esboçou um crescimento, era um país respeitado pela comunidade internacional.  A rainha da Inglaterra quis se sentar ao lado dele, do analfabeto iletrado e sem um dos dedos da mão. Éramos vistos como um novo eldorado, como um país que enfim havia encontrado o caminho da prosperidade, da estabilidade e da democracia. 
Porque vocês sabem ou deveriam saber que não se faz democracia sem povo e os governos de Lula trouxeram o povo para a ribalta política. 
Vocês todos já o admiraram em algum momento e tinham razões para admirá-lo. 
Qual a razão que os impede agora de estar ao lado dele? De ir para as ruas para defender o seu legado, de resgatar nossa esperança no futuro?
Com esse discurso fúnebre não pretendo transformar Lula em santo. 
santos demais nesta terra e o mundo não precisa de mais um. 
Não quero também encobrir seus erros, os erros de sua administração. Pois é claro que erros foram cometidos como em qualquer outro governo. 
O certo é que quase todos os ditos partidos políticos estavam em seu governo, disputavam ministérios e cargos nas estatais e agora todos estão contra ele. 
Também em seus governos a Polícia Federal teve uma independência para investigar nunca imaginada em governos anteriores. 
Não tivemos nos governos do ex-operário nenhum “engavetador geral da República” como ocorria em governos de outrora. 
Suspendeu impostos para incentivar a indústria, adiou o quanto pode a chegada da grande crise de 2008, promoveu como ninguém as empresas nacionais enquanto diziam que ele era comunista, bolivariano. 
Defender o Brasil virou crime num mundo de interesses globalizados.
Não choro por ele, meus amigos. Um homem é um homem com acertos e erros e no final tudo vira pó. 
Eu choro na verdade é por nós brasileiros, nós que sonhamos com um país melhor, com um futuro melhor. 
Vim para falar da morte de Lula, de sua morte política como apregoam os bem pensantes, mas sinceramente não vejo em nenhum lugar o seu cadáver, pois como ele mesmo disse, não se mata uma ideia. 
O único corpo que vejo nesse enterro é o da democracia brasileira, de nossa esperança no futuro.  
A “morte de Lula” é como uma pá de cal em nossos anseios por um país mais justo. Ela só é boa para quem sempre teve de tudo, para quem sempre desfrutou do poder. 
E não se enganem: outros virão para reclamar seu espólio e serão igualmente esmagados por esses homens honrados que não medem esforços para não perder uma migalha de poder que seja, que vêem o homem do povo como eterno escravo a seu serviço. 
A grande lição que devemos tirar disso tudo é que está apenas em nossas mãos mudar esse jogo.



quinta-feira, 18 de julho de 2013

Prêmio Usiminas/Sinparc 2013

                Belo Horizonte, 17 de julho de 2013, Teatro Bradesco, noite. Clima de Expectativa no ar. Todas as atenções voltadas para a primeira partida da final da Libertadores...Ou nem todas. Algumas atenções (não muitas) estavam voltadas para a cerimônia de entrega do 10º Prêmio Usiminas/Sinparc de Artes Cênicas.  Digo nem todas porque o belo Teatro Bradesco não estava lotado como deveria estar. Culpa do jogo? Bem provável, mas é costume de muitos artistas desprezarem o prêmio por não estarem indicados.
Os jornalistas também não dão muita bola. Fato, aliás, assinalado pelo presidente do Sinparc, Rômulo Duque, em apropriado discurso de abertura. Rômulo falou bem das agruras pelas quais passa a produção teatral no estado a despeito de vários e importantes avanços em muitas áreas. E colocou um dedo na ferida da imprensa escrita que candidamente nos ignora. Não vi ninguém conhecido dos jornais na cerimônia e olha que teve um coquetel depois. Me parece que apenas o Daniel Toledo estava presente. Os outros que gostam (quando gostam) de escrever sobre espetáculos na cidade (não vou chamá-los de críticos porque crítica é outra coisa) não deram as caras. Não sei se o Bento Coimbra (uma grata surpresa no quesito crítica) estava presente porque não o conheço pessoalmente. Nem o Elvécio Carlos que mais de uma vez fez parte da comissão do prêmio do teatro adulto deu as caras. Pena. Pena porque perderam uma festa muito bonita.
Ausente da lista de possíveis premiados a não ser pela isolada indicação na categoria de melhor cenário, o número de abertura ficou a cargo do elenco do musical “Eu não sou cachorro não” que arrebatou a plateia. Foi uma boa ideia e deixou muita gente que não viu o espetáculo com água na boca. Eu inclusive. Outro ponto alto da cerimônia foi a trilha musical que a acompanhou. Bela e acertada destacando vários rits conhecidos de musicais e de bandas do passado como “Dancing Queen” do inesquecível ABBA, além de temas dos musicais “Hair”, “Grease”, “Ritmo Quente”, “Cats”, dentre outros. Acerto também da locução dos indicados ao prêmio. Diferente dos anos anteriores. E a dupla de apresentadores, o sempre impagável atleticano Tutti Maravilha e a bela Angélica Hodge.
Vencedores. Participei da comissão que julgou os espetáculos infantis. “Pluft, O Fantasminha” e “O Mistério da Bomba H_” levaram a maior parte dos prêmios, quatro cada um. Ficando com Pluft o troféu de melhor espetáculo infantil e com Anna Campos (de O Mistério...), estreante na função, o prêmio de direção. “Descobrimento”, de Kleber Junqueira, levou três prêmios incluindo aí o de maior público e Karine Amaral levou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho em “Falância, a menina que falava muito e...”.
Com poucos espetáculos indicados para as categorias de dança, os prêmios de 2013 foram basicamente divididos entre o 1º Ato e o Coletivo Movasse. O primeiro levou três troféus e o segundo quatro incluindo aí os de melhor espetáculo e melhor concepção coreográfica. A Mímulus, tradicionalmente premiada na cidade levou dois: o de maior público e melhor bailarina.
Já o teatro adulto teve uma premiação muito mais pulverizada. Resultado, sem dúvida, da grande quantidade de espetáculos indicados. Havia uma grande torcida por “Navalha na Carne” que levou os prêmios de melhor ator coadjuvante para Guilherme Colina e melhor atriz para Clébia Vargas. “Oratório: A saga de Don Quixote e Sancho Pança” também levou dois prêmios, trilha musical e figurino. “Ode Marítima” levou o prêmio de luz que ficou com a multipremiada dupla Felipe Cosse e Juliano Coelho.
Foi também uma noite de surpresas. A começar pela vitória de Ruy Jobim na categoria de texto inédito por “Do Claustro”. Surpresa pela vitória de um texto cujo tema parece estar na contramão do que costuma ser abordado (e festejado por muita gente) pelas novas dramaturgias contemporâneas. Surpresa também o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Letícia Araújo por “Tudo o que eu queria te dizer”. Uma atriz jovem, da fornada de atores formados pela atriz e diretora Ana Nery, num trabalho despretensioso. E, em minha opinião, a grande surpresa da noite, o prêmio de melhor ator para Fernando Couto por “Homens, Santos e Desertores”. Surpresa pelo clima de favoritismo gerado em torno de “Navalha na Carne” que já levara dois prêmios de atuação. Dentre tantos discursos emocionados como os de Anna Campos e Ruy Jobim e discursos que esbanjaram simpatia como o de Enedson Gomes ao receber seu enésimo prêmio de atuação, o discurso de Fernando Couto foi o mais inteligente da noite pela reflexão sobre o ofício e o destino do teatro. Digno de um mestre.
E para completar, o comovente “Por Parte de Pai”, do grupo Atrás do Pano, levou o prêmio de melhor espetáculo adulto, bem como o prêmio de melhor cenário. Um prêmio que fez jus a um belo e poético espetáculo baseado na obra do saudoso Bartolomeu Campos de Queróz. Justa homenagem, justa premiação.
Alguns pontos sobre o prêmio:
Acontece em toda premiação. Muitos são indicados, às vezes os mesmos são indicados, às vezes pessoas diferentes ganham, às vezes os mesmos ganham. Muita gente ganha muitas indicações e não leva nenhum prêmio, Já aconteceu comigo, aconteceu até com o Galpão no ano em que perderam para “Noites Brancas”. Acontece. Isso faz parte de qualquer premiação.
Injustiças quanto a indicações não recebidas, espetáculos ou artistas não lembrados são também uma constante em qualquer lista. Também esperava que os trabalhos que fiz ano passado fossem minimamente lembrados na lista de indicados, mas não foram. Infelizmente faz parte.
Também acontece de muitos derrotados se levantarem e saírem antes do final do prêmio. Notei a ausência de muita gente no coquetel que havia visto quando o prêmio começou. Perder também faz parte.
O prêmio sempre tem uma parte chata. Tudo bem, vá lá, necessária, mas chata. Os prêmios distribuídos para as entidades que contribuíram para as artes cênicas. Esse ano foram agraciados o Minas Tênis Clube, o Sistema Sesc/Fecomércio e a V & M pela breve inauguração do Cine Teatro Brasil. Longos discursos.
Muito legal o programa da festa que fez uma retrospectiva das edições passadas do prêmio. Temos que ter memória do que fazemos e fizemos. Afinal, nosso teatro tem história. Ficamos esperando que o Sinparc também faça um levantamento do prêmio que antecedeu o atual, o Bonsucesso/Amparc/Sinparc. Ele também faz parte de nossa história.
Senti falta de uma homenagem aos artistas que nos deixaram ano passado. Raul Belém Machado e Cecília Bizzoto mereciam ter sido lembrados pelo Sinparc.
Legal a presença de Magdalena Rodrigues, presidente do Sated, na premiação. Valeu, Madá.
Prêmio Usiminas/Sinparc 2013

                Belo Horizonte, 17 de julho de 2013, Teatro Bradesco, noite. Clima de Expectativa no ar. Todas as atenções voltadas para a primeira partida da final da Libertadores...Ou nem todas. Algumas atenções (não muitas) estavam voltadas para a cerimônia de entrega do 10º Prêmio Usiminas/Sinparc de Artes Cênicas.  Digo nem todas porque o belo Teatro Bradesco não estava lotado como deveria estar. Culpa do jogo? Bem provável, mas é costume de muitos artistas desprezarem o prêmio por não estarem indicados.
Os jornalistas também não dão muita bola. Fato, aliás, assinalado pelo presidente do Sinparc, Rômulo Duque, em apropriado discurso de abertura. Rômulo falou bem das agruras pelas quais passa a produção teatral no estado a despeito de vários e importantes avanços em muitas áreas. E colocou um dedo na ferida da imprensa escrita que candidamente nos ignora. Não vi ninguém conhecido dos jornais na cerimônia e olha que teve um coquetel depois. Me parece que apenas o Daniel Toledo estava presente. Os outros que gostam (quando gostam) de escrever sobre espetáculos na cidade (não vou chamá-los de críticos porque crítica é outra coisa) não deram as caras. Não sei se o Bento Coimbra (uma grata surpresa no quesito crítica) estava presente porque não o conheço pessoalmente. Nem o Elvécio Carlos que mais de uma vez fez parte da comissão do prêmio do teatro adulto deu as caras. Pena. Pena porque perderam uma festa muito bonita.
Ausente da lista de possíveis premiados a não ser pela isolada indicação na categoria de melhor cenário, o número de abertura ficou a cargo do elenco do musical “Eu não sou cachorro não” que arrebatou a plateia. Foi uma boa ideia e deixou muita gente que não viu o espetáculo com água na boca. Eu inclusive. Outro ponto alto da cerimônia foi a trilha musical que a acompanhou. Bela e acertada destacando vários rits conhecidos de musicais e de bandas do passado como “Dancing Queen” do inesquecível ABBA, além de temas dos musicais “Hair”, “Grease”, “Ritmo Quente”, “Cats”, dentre outros. Acerto também da locução dos indicados ao prêmio. Diferente dos anos anteriores. E a dupla de apresentadores, o sempre impagável atleticano Tutti Maravilha e a bela Angélica Hodge.
Vencedores. Participei da comissão que julgou os espetáculos infantis. “Pluft, O Fantasminha” e “O Mistério da Bomba H_” levaram a maior parte dos prêmios, quatro cada um. Ficando com Pluft o troféu de melhor espetáculo infantil e com Anna Campos (de O Mistério...), estreante na função, o prêmio de direção. “Descobrimento”, de Kleber Junqueira, levou três prêmios incluindo aí o de maior público e Karine Amaral levou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho em “Falância, a menina que falava muito e...”.
Com poucos espetáculos indicados para as categorias de dança, os prêmios de 2013 foram basicamente divididos entre o 1º Ato e o Coletivo Movasse. O primeiro levou três troféus e o segundo quatro incluindo aí os de melhor espetáculo e melhor concepção coreográfica. A Mímulus, tradicionalmente premiada na cidade levou dois: o de maior público e melhor bailarina.
Já o teatro adulto teve uma premiação muito mais pulverizada. Resultado, sem dúvida, da grande quantidade de espetáculos indicados. Havia uma grande torcida por “Navalha na Carne” que levou os prêmios de melhor ator coadjuvante para Guilherme Colina e melhor atriz para Clébia Vargas. “Oratório: A saga de Don Quixote e Sancho Pança” também levou dois prêmios, trilha musical e figurino. “Ode Marítima” levou o prêmio de luz que ficou com a multipremiada dupla Felipe Cosse e Juliano Coelho.
Foi também uma noite de surpresas. A começar pela vitória de Ruy Jobim na categoria de texto inédito por “Do Claustro”. Surpresa pela vitória de um texto cujo tema parece estar na contramão do que costuma ser abordado (e festejado por muita gente) pelas novas dramaturgias contemporâneas. Surpresa também o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Letícia Araújo por “Tudo o que eu queria te dizer”. Uma atriz jovem, da fornada de atores formados pela atriz e diretora Ana Nery, num trabalho despretensioso. E, em minha opinião, a grande surpresa da noite, o prêmio de melhor ator para Fernando Couto por “Homens, Santos e Desertores”. Surpresa pelo clima de favoritismo gerado em torno de “Navalha na Carne” que já levara dois prêmios de atuação. Dentre tantos discursos emocionados como os de Anna Campos e Ruy Jobim e discursos que esbanjaram simpatia como o de Enedson Gomes ao receber seu enésimo prêmio de atuação, o discurso de Fernando Couto foi o mais inteligente da noite pela reflexão sobre o ofício e o destino do teatro. Digno de um mestre.
E para completar, o comovente “Por Parte de Pai”, do grupo Atrás do Pano, levou o prêmio de melhor espetáculo adulto, bem como o prêmio de melhor cenário. Um prêmio que fez jus a um belo e poético espetáculo baseado na obra do saudoso Bartolomeu Campos de Queróz. Justa homenagem, justa premiação.
Alguns pontos sobre o prêmio:
Acontece em toda premiação. Muitos são indicados, às vezes os mesmos são indicados, às vezes pessoas diferentes ganham, às vezes os mesmos ganham. Muita gente ganha muitas indicações e não leva nenhum prêmio, Já aconteceu comigo, aconteceu até com o Galpão no ano em que perderam para “Noites Brancas”. Acontece. Isso faz parte de qualquer premiação.
Injustiças quanto a indicações não recebidas, espetáculos ou artistas não lembrados são também uma constante em qualquer lista. Também esperava que os trabalhos que fiz ano passado fossem minimamente lembrados na lista de indicados, mas não foram. Infelizmente faz parte.
Também acontece de muitos derrotados se levantarem e saírem antes do final do prêmio. Notei a ausência de muita gente no coquetel que havia visto quando o prêmio começou. Perder também faz parte.
O prêmio sempre tem uma parte chata. Tudo bem, vá lá, necessária, mas chata. Os prêmios distribuídos para as entidades que contribuíram para as artes cênicas. Esse ano foram agraciados o Minas Tênis Clube, o Sistema Sesc/Fecomércio e a V & M pela breve inauguração do Cine Teatro Brasil. Longos discursos.
Muito legal o programa da festa que fez uma retrospectiva das edições passadas do prêmio. Temos que ter memória do que fazemos e fizemos. Afinal, nosso teatro tem história. Ficamos esperando que o Sinparc também faça um levantamento do prêmio que antecedeu o atual, o Bonsucesso/Amparc/Sinparc. Ele também faz parte de nossa história.
Senti falta de uma homenagem aos artistas que nos deixaram ano passado. Raul Belém Machado e Cecília Bizzoto mereciam ter sido lembrados pelo Sinparc.
Legal a presença de Magdalena Rodrigues, presidente do Sated, na premiação. Valeu, Madá.
Prêmio Usiminas/Sinparc 2013

                Belo Horizonte, 17 de julho de 2013, Teatro Bradesco, noite. Clima de Expectativa no ar. Todas as atenções voltadas para a primeira partida da final da Libertadores...Ou nem todas. Algumas atenções (não muitas) estavam voltadas para a cerimônia de entrega do 10º Prêmio Usiminas/Sinparc de Artes Cênicas.  Digo nem todas porque o belo Teatro Bradesco não estava lotado como deveria estar. Culpa do jogo? Bem provável, mas é costume de muitos artistas desprezarem o prêmio por não estarem indicados.
Os jornalistas também não dão muita bola. Fato, aliás, assinalado pelo presidente do Sinparc, Rômulo Duque, em apropriado discurso de abertura. Rômulo falou bem das agruras pelas quais passa a produção teatral no estado a despeito de vários e importantes avanços em muitas áreas. E colocou um dedo na ferida da imprensa escrita que candidamente nos ignora. Não vi ninguém conhecido dos jornais na cerimônia e olha que teve um coquetel depois. Me parece que apenas o Daniel Toledo estava presente. Os outros que gostam (quando gostam) de escrever sobre espetáculos na cidade (não vou chamá-los de críticos porque crítica é outra coisa) não deram as caras. Não sei se o Bento Coimbra (uma grata surpresa no quesito crítica) estava presente porque não o conheço pessoalmente. Nem o Elvécio Carlos que mais de uma vez fez parte da comissão do prêmio do teatro adulto deu as caras. Pena. Pena porque perderam uma festa muito bonita.
Ausente da lista de possíveis premiados a não ser pela isolada indicação na categoria de melhor cenário, o número de abertura ficou a cargo do elenco do musical “Eu não sou cachorro não” que arrebatou a plateia. Foi uma boa ideia e deixou muita gente que não viu o espetáculo com água na boca. Eu inclusive. Outro ponto alto da cerimônia foi a trilha musical que a acompanhou. Bela e acertada destacando vários rits conhecidos de musicais e de bandas do passado como “Dancing Queen” do inesquecível ABBA, além de temas dos musicais “Hair”, “Grease”, “Ritmo Quente”, “Cats”, dentre outros. Acerto também da locução dos indicados ao prêmio. Diferente dos anos anteriores. E a dupla de apresentadores, o sempre impagável atleticano Tutti Maravilha e a bela Angélica Hodge.
Vencedores. Participei da comissão que julgou os espetáculos infantis. “Pluft, O Fantasminha” e “O Mistério da Bomba H_” levaram a maior parte dos prêmios, quatro cada um. Ficando com Pluft o troféu de melhor espetáculo infantil e com Anna Campos (de O Mistério...), estreante na função, o prêmio de direção. “Descobrimento”, de Kleber Junqueira, levou três prêmios incluindo aí o de maior público e Karine Amaral levou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho em “Falância, a menina que falava muito e...”.
Com poucos espetáculos indicados para as categorias de dança, os prêmios de 2013 foram basicamente divididos entre o 1º Ato e o Coletivo Movasse. O primeiro levou três troféus e o segundo quatro incluindo aí os de melhor espetáculo e melhor concepção coreográfica. A Mímulus, tradicionalmente premiada na cidade levou dois: o de maior público e melhor bailarina.
Já o teatro adulto teve uma premiação muito mais pulverizada. Resultado, sem dúvida, da grande quantidade de espetáculos indicados. Havia uma grande torcida por “Navalha na Carne” que levou os prêmios de melhor ator coadjuvante para Guilherme Colina e melhor atriz para Clébia Vargas. “Oratório: A saga de Don Quixote e Sancho Pança” também levou dois prêmios, trilha musical e figurino. “Ode Marítima” levou o prêmio de luz que ficou com a multipremiada dupla Felipe Cosse e Juliano Coelho.
Foi também uma noite de surpresas. A começar pela vitória de Ruy Jobim na categoria de texto inédito por “Do Claustro”. Surpresa pela vitória de um texto cujo tema parece estar na contramão do que costuma ser abordado (e festejado por muita gente) pelas novas dramaturgias contemporâneas. Surpresa também o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Letícia Araújo por “Tudo o que eu queria te dizer”. Uma atriz jovem, da fornada de atores formados pela atriz e diretora Ana Nery, num trabalho despretensioso. E, em minha opinião, a grande surpresa da noite, o prêmio de melhor ator para Fernando Couto por “Homens, Santos e Desertores”. Surpresa pelo clima de favoritismo gerado em torno de “Navalha na Carne” que já levara dois prêmios de atuação. Dentre tantos discursos emocionados como os de Anna Campos e Ruy Jobim e discursos que esbanjaram simpatia como o de Enedson Gomes ao receber seu enésimo prêmio de atuação, o discurso de Fernando Couto foi o mais inteligente da noite pela reflexão sobre o ofício e o destino do teatro. Digno de um mestre.
E para completar, o comovente “Por Parte de Pai”, do grupo Atrás do Pano, levou o prêmio de melhor espetáculo adulto, bem como o prêmio de melhor cenário. Um prêmio que fez jus a um belo e poético espetáculo baseado na obra do saudoso Bartolomeu Campos de Queróz. Justa homenagem, justa premiação.
Alguns pontos sobre o prêmio:
Acontece em toda premiação. Muitos são indicados, às vezes os mesmos são indicados, às vezes pessoas diferentes ganham, às vezes os mesmos ganham. Muita gente ganha muitas indicações e não leva nenhum prêmio, Já aconteceu comigo, aconteceu até com o Galpão no ano em que perderam para “Noites Brancas”. Acontece. Isso faz parte de qualquer premiação.
Injustiças quanto a indicações não recebidas, espetáculos ou artistas não lembrados são também uma constante em qualquer lista. Também esperava que os trabalhos que fiz ano passado fossem minimamente lembrados na lista de indicados, mas não foram. Infelizmente faz parte.
Também acontece de muitos derrotados se levantarem e saírem antes do final do prêmio. Notei a ausência de muita gente no coquetel que havia visto quando o prêmio começou. Perder também faz parte.
O prêmio sempre tem uma parte chata. Tudo bem, vá lá, necessária, mas chata. Os prêmios distribuídos para as entidades que contribuíram para as artes cênicas. Esse ano foram agraciados o Minas Tênis Clube, o Sistema Sesc/Fecomércio e a V & M pela breve inauguração do Cine Teatro Brasil. Longos discursos.
Muito legal o programa da festa que fez uma retrospectiva das edições passadas do prêmio. Temos que ter memória do que fazemos e fizemos. Afinal, nosso teatro tem história. Ficamos esperando que o Sinparc também faça um levantamento do prêmio que antecedeu o atual, o Bonsucesso/Amparc/Sinparc. Ele também faz parte de nossa história.
Senti falta de uma homenagem aos artistas que nos deixaram ano passado. Raul Belém Machado e Cecília Bizzoto mereciam ter sido lembrados pelo Sinparc.
Legal a presença de Magdalena Rodrigues, presidente do Sated, na premiação. Valeu, Madá.
Prêmio Usiminas/Sinparc 2013

                Belo Horizonte, 17 de julho de 2013, Teatro Bradesco, noite. Clima de Expectativa no ar. Todas as atenções voltadas para a primeira partida da final da Libertadores...Ou nem todas. Algumas atenções (não muitas) estavam voltadas para a cerimônia de entrega do 10º Prêmio Usiminas/Sinparc de Artes Cênicas.  Digo nem todas porque o belo Teatro Bradesco não estava lotado como deveria estar. Culpa do jogo? Bem provável, mas é costume de muitos artistas desprezarem o prêmio por não estarem indicados.
Os jornalistas também não dão muita bola. Fato, aliás, assinalado pelo presidente do Sinparc, Rômulo Duque, em apropriado discurso de abertura. Rômulo falou bem das agruras pelas quais passa a produção teatral no estado a despeito de vários e importantes avanços em muitas áreas. E colocou um dedo na ferida da imprensa escrita que candidamente nos ignora. Não vi ninguém conhecido dos jornais na cerimônia e olha que teve um coquetel depois. Me parece que apenas o Daniel Toledo estava presente. Os outros que gostam (quando gostam) de escrever sobre espetáculos na cidade (não vou chamá-los de críticos porque crítica é outra coisa) não deram as caras. Não sei se o Bento Coimbra (uma grata surpresa no quesito crítica) estava presente porque não o conheço pessoalmente. Nem o Elvécio Carlos que mais de uma vez fez parte da comissão do prêmio do teatro adulto deu as caras. Pena. Pena porque perderam uma festa muito bonita.
Ausente da lista de possíveis premiados a não ser pela isolada indicação na categoria de melhor cenário, o número de abertura ficou a cargo do elenco do musical “Eu não sou cachorro não” que arrebatou a plateia. Foi uma boa ideia e deixou muita gente que não viu o espetáculo com água na boca. Eu inclusive. Outro ponto alto da cerimônia foi a trilha musical que a acompanhou. Bela e acertada destacando vários rits conhecidos de musicais e de bandas do passado como “Dancing Queen” do inesquecível ABBA, além de temas dos musicais “Hair”, “Grease”, “Ritmo Quente”, “Cats”, dentre outros. Acerto também da locução dos indicados ao prêmio. Diferente dos anos anteriores. E a dupla de apresentadores, o sempre impagável atleticano Tutti Maravilha e a bela Angélica Hodge.
Vencedores. Participei da comissão que julgou os espetáculos infantis. “Pluft, O Fantasminha” e “O Mistério da Bomba H_” levaram a maior parte dos prêmios, quatro cada um. Ficando com Pluft o troféu de melhor espetáculo infantil e com Anna Campos (de O Mistério...), estreante na função, o prêmio de direção. “Descobrimento”, de Kleber Junqueira, levou três prêmios incluindo aí o de maior público e Karine Amaral levou o prêmio de melhor atriz por seu desempenho em “Falância, a menina que falava muito e...”.
Com poucos espetáculos indicados para as categorias de dança, os prêmios de 2013 foram basicamente divididos entre o 1º Ato e o Coletivo Movasse. O primeiro levou três troféus e o segundo quatro incluindo aí os de melhor espetáculo e melhor concepção coreográfica. A Mímulus, tradicionalmente premiada na cidade levou dois: o de maior público e melhor bailarina.
Já o teatro adulto teve uma premiação muito mais pulverizada. Resultado, sem dúvida, da grande quantidade de espetáculos indicados. Havia uma grande torcida por “Navalha na Carne” que levou os prêmios de melhor ator coadjuvante para Guilherme Colina e melhor atriz para Clébia Vargas. “Oratório: A saga de Don Quixote e Sancho Pança” também levou dois prêmios, trilha musical e figurino. “Ode Marítima” levou o prêmio de luz que ficou com a multipremiada dupla Felipe Cosse e Juliano Coelho.
Foi também uma noite de surpresas. A começar pela vitória de Ruy Jobim na categoria de texto inédito por “Do Claustro”. Surpresa pela vitória de um texto cujo tema parece estar na contramão do que costuma ser abordado (e festejado por muita gente) pelas novas dramaturgias contemporâneas. Surpresa também o prêmio de melhor atriz coadjuvante para Letícia Araújo por “Tudo o que eu queria te dizer”. Uma atriz jovem, da fornada de atores formados pela atriz e diretora Ana Nery, num trabalho despretensioso. E, em minha opinião, a grande surpresa da noite, o prêmio de melhor ator para Fernando Couto por “Homens, Santos e Desertores”. Surpresa pelo clima de favoritismo gerado em torno de “Navalha na Carne” que já levara dois prêmios de atuação. Dentre tantos discursos emocionados como os de Anna Campos e Ruy Jobim e discursos que esbanjaram simpatia como o de Enedson Gomes ao receber seu enésimo prêmio de atuação, o discurso de Fernando Couto foi o mais inteligente da noite pela reflexão sobre o ofício e o destino do teatro. Digno de um mestre.
E para completar, o comovente “Por Parte de Pai”, do grupo Atrás do Pano, levou o prêmio de melhor espetáculo adulto, bem como o prêmio de melhor cenário. Um prêmio que fez jus a um belo e poético espetáculo baseado na obra do saudoso Bartolomeu Campos de Queróz. Justa homenagem, justa premiação.
Alguns pontos sobre o prêmio:
Acontece em toda premiação. Muitos são indicados, às vezes os mesmos são indicados, às vezes pessoas diferentes ganham, às vezes os mesmos ganham. Muita gente ganha muitas indicações e não leva nenhum prêmio, Já aconteceu comigo, aconteceu até com o Galpão no ano em que perderam para “Noites Brancas”. Acontece. Isso faz parte de qualquer premiação.
Injustiças quanto a indicações não recebidas, espetáculos ou artistas não lembrados são também uma constante em qualquer lista. Também esperava que os trabalhos que fiz ano passado fossem minimamente lembrados na lista de indicados, mas não foram. Infelizmente faz parte.
Também acontece de muitos derrotados se levantarem e saírem antes do final do prêmio. Notei a ausência de muita gente no coquetel que havia visto quando o prêmio começou. Perder também faz parte.
O prêmio sempre tem uma parte chata. Tudo bem, vá lá, necessária, mas chata. Os prêmios distribuídos para as entidades que contribuíram para as artes cênicas. Esse ano foram agraciados o Minas Tênis Clube, o Sistema Sesc/Fecomércio e a V & M pela breve inauguração do Cine Teatro Brasil. Longos discursos.
Muito legal o programa da festa que fez uma retrospectiva das edições passadas do prêmio. Temos que ter memória do que fazemos e fizemos. Afinal, nosso teatro tem história. Ficamos esperando que o Sinparc também faça um levantamento do prêmio que antecedeu o atual, o Bonsucesso/Amparc/Sinparc. Ele também faz parte de nossa história.
Senti falta de uma homenagem aos artistas que nos deixaram ano passado. Raul Belém Machado e Cecília Bizzoto mereciam ter sido lembrados pelo Sinparc.
Legal a presença de Magdalena Rodrigues, presidente do Sated, na premiação. Valeu, Madá.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

FIT 2


É difícil para quem atua nas artes conciliar sua vontade louca de acompanhar tudo que o festival mostra com as urgências do trabalho, no caso a montagem de dois espetáculos que irão estrear no segundo semestre. Sei que estou perdendo muita coisa boa como “Voyageurs Immobiles”, “Estamira” (para o qual simplesmente não consegui achar ingressos), “Mistero Buffo” ou “Translunar Paradise” ou o israelense “Quiet” que dividiu tanto as opiniões. Outros eu optei por não assistir pelo tamanho dos trabalhos (mais uma vez a falta de tempo), é o caso de “O Idiota” (que pelo que soube também tem dividido opiniões) e “Ópera dos Vivos”. Mas vou deixar de falar do que não vi para me concentrar no que de fato consegui assistir.
Talvez eu seja um artista que esteja um pouco na contramão da moda teatral. Eu particularmente gosto de ir ao teatro para que me contem uma história, gosto, portanto, do teatro que preza a palavra bem falada e o ator que sabe conduzir sua fala, seu corpo e suas emoções em prol dessa exigência.
Dentro desse teatro que preza a palavra, gostei de dois espetáculos que vieram do Cone Sul: “Villa + Discurso”, do chileno Grupo Teatro Playa. Três belas atrizes se revezaram no palco do pequeno auditório da velha Fafich (que nunca deveria ter deixado de ser Fafich por mais que as instalações do campus na Pampulha sejam mais espaçosas). Um espetáculo simples e comovente. Necessário. A discussão sobre o destino a ser dado a um antigo centro de detenção, tortura e extermínio de opositores da época da sinistra ditadura de Pinochet, serve como pano de fundo para falar da própria condição do Chile pós-regime militar, dos dilemas da esquerda e da situação dos filhos da ditadura, como se parte da sociedade chilena desejasse passar a limpo aspectos de seu passado e seus laços com o presente representados pelo discurso de despedida da presidente Michele Bachelet, cujo pai foi morto pela regime de Pinochet.
É difícil não pensar no Brasil. Primeiro até por certa proximidade histórica entre a nossa presidente e a do Chile. E depois pelo tipo de teatro que é feito no país desde os anos 80. Aqui, quando se pensa em fazer algum espetáculo de cunho político cujo tema seja a ditadura ou suas sequelas, as pessoas não dão a menor confiança, pois trata-se de um assunto “datado”. O teatro praticado nos países vizinhos mostra que não. Que não se pode esquecer os abusos, as violações, os massacres, que não se pode simplesmente deixar esse passado de lado. Não é permitido esquecer e um bom caminho para o não esquecimento é falarmos disso tudo.
Outro bom exemplo de simplicidade, interpretação limpa e apreço à palavra é o ótimo “Tercer Cuerpo” dos argentinos do Grupo Timbre 4. Um cenário simples, um escritório que ao mesmo tempo é um bar ou um consultório médico onde cinco ótimos atores desfilam suas angústias, seus medos, sua incrível solidão. Assim como “Los Hijos Se Han Dormido”, mais um exemplo de interpretação realista contida, quase televisiva, que pode ser detestável para alguns, mas que eu considero um primor pelo rigor do que é dito e pelo trabalho sobre as emoções. Me deu vontade de ir para Buenos Aires estudar com eles. Quem sabe eu não faça isso ano que vem?
“Abito”, da Fondazione Pontedera Teatro é outro belo e instigante espetáculo. Um ambiente de sonho e alucinação no qual é mergulhado seu protagonista que não consegue retornar. Belo e tocante. Mais um mergulho na solidão, como o é, aliás, “Depois do Filme”, solo do diretor Adherbal Freire Filho. Um pouco sujo na atuação, como se o ator buscasse o tempo todo em sua memória as palavras que lhe faltam, mas muito interessante. Li recentemente ao excelente “Memória de Elefante”, de António Lobo Antunes. A história me comoveu. Histórias de solidões masculinas me tocam e a história recém lida me fez entrar no discurso de Adherbal e do Pontedera e me sentir parte deles.
Por fim, “Theatre”, do grupo tcheco Farm in the Cave. Teatralmente falando eu gostei mais do trabalho anterior mostrado na edição 2008 do FIT.  Mas como não se encantar com tamanha profusão física e vocal do excelente grupo do leste europeu. Muito mais um espetáculo de dança que de teatro a bem da verdade e que em determinados momentos me pareceu ser uma demonstração de virtuosismos, mas assim mesmo encantador e como a dizer que a dramaturgia contemporânea, para além da lógica das palavras (e eu que gosto tanto delas) consegue muitas vezes aportar com propriedade nos corpos e vozes de bons atores extraindo momentos sublimes.
Por questões de trabalho não consegui ver mais nada. Nem os “Sin, título: técnica mista”, nem “Gólgota Pic Nic” para os quais inclusive eu tinha ingresso. Mesmo tendo visto tão pouca coisa, penso que o FIT foi mais uma vez muito produtivo e deixou, como sempre deixa, aquele seu tradicional gostinho de quero mais.

domingo, 10 de junho de 2012

FIT


O FIT começou. Pela 11ª vez desde aquela tarde maravilhosa de 1994 (um ano muito bom para mim) em que os franceses do “Genérique Vapeur” encantaram a cidade com sua performance de ocupação coletiva.  Depois dos percalços da edição de 2010 que esteve a ponto de não acontecer por problemas de ordem política, a versão 2011 está sendo apresentada como a maior já realizada até agora. Nós que além de amarmos o teatro fazemos dele nossa profissão, esperamos que sim.
Olhando para a grade apresentada pelos organizadores há de fato muita coisa interessante para conferir, como, por exemplo, os tchecos do Farm in the Cave que brilharam por aqui na edição de 2008. Da seleção local fiquei surpreso com certas escolhas. Não vou entrar no mérito da qualidade artística dos trabalhos escolhidos, mas sinceramente não vejo sentido em duas coisas: primeiro, por mais que estudiosos e pesquisadores afirmem que as fronteiras entre as artes estejam cada vez mais tênues a ponto de termos dificuldades em definir, por exemplo, o que seja o teatro na contemporaneidade, não consigo concordar com a seleção de espetáculos de um grupo de dança, mesmo por que a cidade tem tantos festivais específicos (circo, teatro de bonecos, teatro de objetos, dança, performance) que não vejo justificativa para se colocar tantos gatos no mesmo balaio. Em segundo lugar a escolha de espetáculos que não são novidade na cidade, que já estiveram em cartaz alguns anos atrás e que não participaram de edições do FIT próximas ao ano de seu lançamento. O que aconteceu? Dentre os inscritos para a edição atual não haviam espetáculos ou outras companhias com qualidade suficiente? Ressalva feita a “Romeu e Julieta” do Galpão, por que afinal é um dos melhores espetáculos já produzidos no estado e o grupo está fazendo 30 anos e se apresentou mais uma vez no palco do Globe Theatre, etc. Mas não é o caso de outros trabalhos escolhidos.
Fico pensando nos critérios quando vou assistir a um espetáculo como “Los Hijos Se Han Dormido”, do argentino Daniel Veronese que já esteve por aqui em edições passadas à frente do grupo Periférico de Objetos. O espetáculo apresentado é uma versão de gabinete do clássico “A Gaivota” de Tchecov. Na montagem apresentada  não temos um desenho de luz, mas tão somente uma mesma geral branca,  um cenário beirando ao tosco – uma simples sala com três entradas, figurinos simples parecendo roupas do dia a dia que cada ator levou para o palco, nem trilha musical. Também não havia uma direção espetaculosa, nem tampouco uma teatralidade que saltasse aos olhos e, como estamos em um festival, o espetáculo parece se ressentir de não ter um conceito. O incômodo foi imediato. Dezenas de pessoas (mal educadas na minha modesta opinião) abandonaram o barco antes que ele pudesse atracar. Tudo bem. Um espetáculo tão pobre de recursos cênicos e ainda por cima falado em espanhol e com legendas projetadas acima da platéia, é demais.
Comentário que ouvi depois da apresentação: fosse montado por alguém de BH teria sido execrado. Certamente. Ou não, quem sabe?
O que vimos no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes ontem foi uma exibição de técnica de atuação naturalista. Quase atuação para televisão ou cinema. O que me impressionou (e por isso gostei do espetáculo – minha eterna vocação de nadar contra a corrente) foi a consistência do trabalho dos atores expressa pela palavra bem falada (apesar de entedermos pouco a língua – o que é um pecado cultural – conseguimos identificar sua musicalidade), na construção das pequenas ações, no estar apenas olhando por uma janela e esse apenas olhar pela janela nos prende a atenção, nos corpos bem colocados em cena, sem exageros. Para mim foi uma atuação primorosa. Nada de cotovelo direito no céu da boca, nem palavras desconexas expressando a angústia contemporânea (em minha opinião expressando muitas as vezes a falta do que dizer). Já ouvi muita gente boa falar que teatro se faz com ator e texto (se bem que nesse último quesito há muitos que torcem o nariz) e quando aparece um espetáculo que é tão somente ator e texto as pessoas não gostam.
Meu amigo Tinho que mora no Rio já me disse que essa é meio que uma moda por lá. Uma atuação mais televisiva ou tendendo mais para o cinema. Pensei também em Eduardo Tolentino e em seu Grupo Tapa de onde saiu a premiada atriz Sandra Corveloni ( Palma de Ouro em Cannes por Linha de Passe). Eles certamente não teriam vez em BH. Diz a lenda que quando mestre Grotowski esteve em Pindorama assistiu espetáculos de vários grupos locais e que o que ele mais gostou foi do trabalho do Tapa. Enfim.
Voltando ao comentário ouvido à saída do teatro: foi o que me fez, mais uma vez, pensar nos critérios de escolha, na política do festival. Com certeza, se o espetáculo fosse local passaria bem longe do FIT como outros que se aproximam levemente da estética proposta por Veronese de fato passaram. Fico pensando em dois pesos e duas medidas. O que dizer?
Sei que gostei de ter visto apesar de ter tido dificuldades de me concentrar. Tudo bem que o Grande Teatro é uma sala que possa conter muita poeira, ácaros e mofo e que, por estarmos em junho, temos uma propensão maior a ter problemas respiratórios, etc. Mas o ambiente ontem estava mais para sanatório de tuberculosos do que para teatro. Meu amigo João ponderou que isso poderia ser uma reação da plateia ao próprio espetáculo. Pode mesmo, mas a orquestra de tosses começou tão logo as luzes se apagaram...
Legal também foi ter visto ao ótimo “Sua incelença, Ricardo III”, da companhia potiguar Clows de Shakespeare. Com direção de Gabriel Vilela, o trabalho parece ser uma verdadeira versão nordestina de “Romeu e Julieta” do Galpão. Não chega a ter a mesma poesia que o modelo mineiro, mas isso a meu ver se deve muito mais ao texto que é radicalmente diferente e também ao fato de o Galpão ter atores bem mais maduros. Um belo e inspirador trabalho.
Ponto de encontro: uma vez mais é no Parque Municipal. Eu continuo preferindo os bares tradicionais, ou seja, a minha velha Cantina do Lucas de guerra. Não curto bares da moda, a não ser que o bar da moda seja realmente um bom bar o que se traduz por cerveja gelada, boa comida, preços razoáveis e atendimento de primeira. Gosto de ir a um bar, sentar, beber e conversar. Ir a um lugar somente para ser visto como pessoa descolada não faz a minha cabeça. Mesmo por que o ponto de encontro sempre me pareceu uma quermesse Cult.

Síria


Até quando o mundo irá silenciar covardemente frente ao que acontece na Síria? Em quinze meses de protestos e luta por democracia mais de quatorze mil mortos. Se isso não for um genocídio eu não sei o que realmente é. Ou será que precisaremos chegar a cifra de um milhão de mortos para que a “consciência ocidental progressista” tome alguma atitude? Mas a Síria não tem petróleo e as potências do “mundo livre” não parecem dispostas a constranger Rússia e China tradicionais aliadas do despotismo do clã Assad, especialmente a última por óbvias razões. Não se trata de defender ou não a autonomia dos sírios como parece defender nossa diplomacia, nem em apostar que um enfraquecimento da Síria poderia favorecer Israel ( o que em parte é verdade) ou a posição do Irã dos aiatolás que sem o parceiro sírio estaria em dificuldades frente ao imperialismo ianque. Danem-se as estratégias geopolíticas. O povo sírio está sendo cruelmente massacrado sob os olhares complacentes do Ocidente. Não posso deixar de pensar em Sartre nesse instante, quando ele nos diz que a conivência com o crime nos transforma em assassinos.

Ainda o Canadá


Por falar em Canadá, nos dias que antecederam ao GP os estudantes de Montreal saíram às ruas para protestar contra o aumento das mensalidades universitárias. Deu confusão. O pior é que parece ter sido aprovada uma legislação restringindo as manifestações. Tristes tempos. Com a queda do muro de Berlim e o fim do socialismo real, criou-se a ilusão de que a democracia era um valor em si (parafraseando um “pensador” do Manhattan Connection). Parece não ser. Num mundo cada vez mais dominado pela voracidade do lucro a qualquer preço, o grito dos insatisfeitos soa como afronta para os defensores do deus dinheiro, com o beneplácito covarde de políticos e outros arautos do bem comum. Democracia sim, mas sem povo. Que o digam o Canadá e outros países democráticos como o Reino Unido, Chile, Rússia dentre outros.

Canadá


GP do Canadá de Fórmula 1, mais uma etapa de um campeonato bem interessante como há muito tempo não se via. Nos sete grandes prêmios disputados até aqui sete vencedores diferentes. E os brasileiros, uma vez mais, meros coadjuvantes. Depois da morte de Ayrton Senna não tivemos mais nenhum piloto capaz de despertar nossa paixão pelo esporte sobre quatro rodas.  Massa teve um lapso poucos anos atrás ao perder o título por um ou dois pontos na última corrida e ficar com o vice-campeonato. Mas com a chegada do bi-campeão Fernando Alonso (também um grande corredor ao lado de Lewis Hamilton) conformou-se a ser o segundo piloto atuando como funcionário público da F1. Como torcer por ele? Confesso que nunca morri de amores pelo Senna. Nadando contra a corrente da paixão nacional, eu era fã incondicional de Nelson Piquet, afinidade que nasceu em 1981 quando acompanhei, corrida por corrida, a trajetória do primeiro campeonato conquistado por ele.  Aliás, nadar contra a corrente parece ser uma mania que cultivo desde a infância. Fazer o quê? Recentemente tentei torcer para o filho do Piquet, mas, no caso em questão, o talento não parece ser genético.Com tanto medíocre por aí se aventurando pela Fórmula 1 e gostando de acompanhar o esporte como sempre gostei, não deixo de pensar depois de tanto tempo:  que falta que ele está fazendo.E estou falando do Ayrton.

Futebol: Messi faz a diferença. Neymar ainda não.


O argentino, melhor jogador do mundo, marcou três gols na seleção olímpica, um deles uma verdadeira pintura.  Neymar nada fez.  Ele é um bom jogador, na verdade o melhor em atividade no Brasil atualmente, mas ainda está longe de fazer a diferença na seleção. Apesar do que a mídia nativa possa pensar ou dizer.
Neymar não faz a diferença como a seleção brasileira parece não mais fazer. Antigamente eu sentia uma empolgação com os jogos da seleção até quando ela era comandada pelo Lazzarone (na minha opinião um dos piores técnicos que o escrete canarinho já teve), especialmente num jogo contra a Argentina. As pessoas se interessavam mais pela seleção, paravam mais para ver seus jogos. Hoje... Estava no centro da cidade na hora da partida, televisores ligados nos bares e restaurantes, mas não vi muito interesse nas pessoas. Parecia se tratar apenas de um jogo a mais dentre os tantos outros que os muitos canais transmitem de segunda a segunda.
Mas a própria lógica do futebol atual parece ter conduzido a esse estado de coisas. A seleção há tempos não joga no país e não podemos dizer que culpa disso seja a reforma dos estádios das cidades sede da próxima copa que afinal são apenas doze. Alie-se a isso ao fato de que a maior parte dos bons jogadores (nem vou falar de craques) atuarem em times do exterior. A globalização foi ruim para o nosso futebol. Qualquer jogador mediano imediatamente se transforma em um craque vendável para o exterior o que gera a necessidade financeira de colocá-lo (nem que seja na marra) em qualquer lista para qualquer amistoso da seleção. O resultado disso é uma geração medíocre ou de promessas que nem sempre se cumprem. E nem vou falar de mandos e desmandos e maracutaias tão próprias de nossa vida política como também, e nem poderia deixar de ser, de nosso futebol (e não só do nosso futebol. Taí o mais recente escândalo do futebol italiano que não me deixa mentir). Além de toda essa bandalheira, há também uma questão de identidade. Ou de perda de identidade. Nosso futebol perdeu a identidade com o Brasil e o resultado é ver o Neymar sendo engolido pelo mais uma vez pelo Messi.

Carros



Nada tenho contra a fé das pessoas. Somos livres para acreditar ou não no que quisermos. No mundo de hoje podemos louvar ao deus de nossa preferência apesar do desejo ardente de muitos fundamentalistas que querem nos converter ou na pior das hipóteses nos fazer viver sob seus ditames.
O fato é que moro no Luxemburgo há doze anos. Tempos atrás a Igreja Batista construiu um grande templo na Rua Luiz Soares da Rocha. Nada contra mesmo por que a nova casa trouxe mais movimento para a parte do bairro onde moro, mas o sossego acabou aí. São dezenas de carros estacionados em local proibido, fazendo manobras sobre a área livre do edifico onde moro, interrompendo o trânsito dos ônibus ao estacionar nos dois lados da rua. Não sabia que louvor a Deus e falta de civilidade andavam juntas. Como pode ser possível amar a Deus desrespeitando o direito de outros? Estou tentando entender.

domingo, 25 de março de 2012

Cinema

Sábado,andando pela Savassi, passamos pela porta do antigo Cine Pathé de tantas alegrias cinéfilas. A fachada foi tombada pelo patrimônio, mas o teatro tombou há tempos e a protegida fachada tornou-se uma triste ruína a atestar nossa desenfreada ganância, a força da grana que ergue e destrói (mais destrói) coisas belas. Foi nesse cinema que vi grande parte dos filmes que moldaram meu gosto desde Contos de Nova York (do trio Scorcese -Coppola - Allen), Cinema Paradiso, O Cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante e The Doors a megaproduções como O Paciente Inglês e Forrest Gump. O desaparecimento dos cinemas de rua parece ser um fenômeno nacional e mundial e Belo Horizonte fatalmente não escaparia dessa nova de "progresso". Mas o Pathé e sua fachada tombada pelo patrimônio mereciam destino melhor ao de apenas ficar de pé sofrendo as agruras provocadas por nossos lamentáveis instintos primários e a ação impiedosa do tempo. O Palladium de tantas outras alegrias acabou tendo um destino digno se transformando no belíssimo Centro Cultural do SESC. E o Pathé? Continuará apenas como fachada decrépita e tombada até quando? 
Depois do fechamento do Usina e do Savassi Cine Clube, o cinema de arte ou fora do grande esquemão americado ficou restrito ao Belas Artes e a Sala Humberto Mauro que, apesar das reformas realizadas no Palácio das Artes ainda precisa melhorar muito. Mas confesso que tive uma surpresa nesse último sábado ao assistir ao belíssimo Pina,de Wim Wenders, numa das salas do Cinemark do Pátio Savassi. Não que eu não conhecesse o conforto peculiar dessas salas, mas foi bom assistir ao filme em 3D numa sala de shopping vazia, apreciado apenas por quem de fato gosta de dança e de cinema. Sei que estou parecendo meio elitista, mas assistir a um filme convencional em cinema de shopping se transformou em provação para quem quer somente curtir um filme. Isso porque as pessoas não vão ao cinema para ver cinema. Os cinemões se transformaram em sucursais dos próprios shoppings e mais importante é conversar alto, rir e se empanturrar com as porcarias que são vendidas (e que acabam sendo mais importantes que o próprio filme).Ir a um cinema desses é como ir e se irritar com um picnic dos outros.
Isso para não falar dos aparelhos celulares, esse novo seio oferecido aos adultos que se recusam a sair da terceira infância.
Mas vamos ao filme: Pina é belo. Não é um documentário formal desses que estamos habituados a ver. Não está interessado em oferecer uma biografia da grande (e bela) bailarina e coreógrafa morta dois anos atrás. É um filme sentimental que nos coloca dentro de suas coreografias, mostrando os trabalhos mais importantes feitos nos últimos anos e revisitando os locais que são caros para a companhia. O ambiente urbano, a natureza, a relação com essa natureza. A narração fragmentada é construída por depoimentos de seus bailarinos. Texto e imagem, dança e emoção como a preparar o terreno para a grande reflexão da própria Pina Bausch que encerra o filme: Temos que dançar, dançar, dançar ou estamos perdidos. Sim. Via a arte, viva Wim Wenders, viva Pina Bausch.

Depois da tempestade a calmaria

Depois da overdose de teatro provocada pela 38ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança que esse ano adentrou pelos primeiros dias de março, Belo Horizonte mergulhou no marasmo pós-campanha.  Fiquei desolado ao abrir o Pampulha desse final de semana e constatar que temos apenas nove produções em cartaz sendo uma delas um stand up comedy. Se pegarmos a programação do Dia Internacional do Teatro que está sendo comemorado pelo Galpão Cine Horto temos então mais quatro outras produções a disposição e só. Uma miséria se comparada aos mais de cem espetáculos que estiverem disponíveis durante os dois meses de campanha e mais alguns outros em eventos paralelos. Há de fato uma ressaca pós-campanha, motivo pelo qual (imagino) muitos dos teatros públicos estão empurrando suas concorrências para depois de abril (é o caso do Teatro Marília e também da Sala João Ceschiatti), mas se alguém de fora que esteja passando o final de semana na cidade resolver tentar ir ao teatro irá encontrar bem pouca coisa à disposição, o que é uma pena. Esbarro com esse problema toda vez que viajo de férias para alguma capital do Nordeste. Como amante do teatro que sou sempre procuro alguma alternativa cultural que escape as opções geralmente oferecidas para turistas. E o resultado é que quase nunca encontro nada para assistir. Um ou outro show, um ou outro espetáculo e mesmo assim muita coisa de fora e geralmente com atores globais. Só fui feliz uma única vez em Recife. Para uma cidade que se gaba em ser o terceiro pólo teatral do país (posição que deve disputar com Porto Alegre e Curitiba) ter em um final de semana pouco mais de dez espetáculos em cartaz é muito pouco. Claro que há os custos de se manter uma produção e colocá-la em exibição logo após a campanha principalmente porque o público, eis aí o grande problema, não comparece com a frequência que se espera. De minha parte penso que para resolvermos esse problema crônico da escassez de público durante o ano deveríamos a longo prazo modificar substancialmente a educação básica nesse país porque cultura é uma questão de educação e a curto prazo sairmos um pouco dos limites da Avenida do Contorno e levarmos os espetáculos teatrais aos bairros cobrando ingressos mesmo que a preços simbólicos. Talvez seja uma saída. Fico triste quando vejo que nossa realidade teatral é ainda bastante amadora. Amadora no sentido de quem faz teatro e como o faz. Aos trancos e barrancos, com pouco dinheiro e atingindo pouco público. O teatro mineiro, tirando algumas exceções que confirmam a regra e tirando a época dos grandes eventos como a Campanha e o FIT, parece ter ainda pouca visibilidade perante ao público. E ainda há alguns artistas que não dão muita bola para ele...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Cinema

Dois filmes assistidos nos últimos dias e que estão entre os indicados ao Oscar cuja cerimônia irá se realizar no domingo dia 26.
O Artista entra como franco favorito. Já levou três Globos de Ouro e sete prêmios Bafta (o Oscar britânico). Trata-se sem dúvida de uma bela homenagem ao cinema ao resgatar o antigo (e charmoso) filme mudo em preto e branco, resgatado até na abertura com os créditos sendo apresentados como eram feitos nos anos 30. A história da transição do cinema mudo para o falado já foi tratada pela sétima arte antes. Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, traz o drama de uma grande atriz do cinema mudo (Glória Swanson) que não conseguiu se adaptar aos novos tempos do cinema sonoro, a mesma história contata em O Artista. Outro exemplo é o brilhante musical de Dançando na Chuva de Gene Kelly. Pessoas que gostam de cinema gostam de filmes que homenageiam o cinema e é isso que O Artista faz. Ao final, quando é narrada a transição do cinema mudo para o sonoro via musicais que tornaram mais alegre um país atormentado pela grande depressão, dá vontade de aplaudir. É de se admirar também a interpretação dos atores (ambos indicados ao Oscar nas categorias de melhor ator e melhor atriz coadjuvante respectivamente) por resgatarem um tipo de interpretação para cinema que desapareceu.  E apesar de ter gostado do filme, de te-lo achado muito divertido, acho dez indicações para o Oscar um pouco demais (adoro essa contradição) e não sei se daria a ele o prêmio máximo de melhor filme. Como sou um ator que gosta de histórias acho o enredo meio pobrinho, mas muitos enredos dos antigos filmes mudos eram meio pobrinhos também. Enfim.
Fui ao Belas Artes com a intenção de ver  o iraniano A Separação e acabei assistindo (por uma questão de horário) a Dama de Ferro.
Acho meio problemático fazer filmes sobre personagens históricas ainda vivas. A despeito da brilhante interpretação de Helen Mirren em A Rainha, quando a grande diva inglesa vive a atual e longeva rainha de seu país, achei na época o filme menor por pintar com cores bem simpáticas uma figura tão controversa como o ex-primeiro ministro Tony Blair, principalmente tendo em vista no que ele se tornou ao aliar-se a George W.Bush na tragédia (para o povo iraquiano) que se tornou a invasão do Iraque. Enfrentar um filme que fala de Margareth Thatcher não era o programa que eu esperava, mas ela é vivida por Meryl Streep e isso já vale qualquer esforço.
Thatcher, ao lado de Reagan, foi (pelo menos para mim que sempre me coloquei no espectro da esquerda) o que de pior a política mundial produziu nos anos 80. Eles representavam uma onda conservadora triunfante depois da onda libertária produzida nos anos 60 e da época de ressaca e certo conformismo que foram os anos 70. Significavam o aniquilamento do welfare state keynesiano no mundo anglo-saxônico servindo de modelo para o famigerado neoliberalismo c ujos maléficos resultados todos agora conhecemos. Não sendo inglês ou norte-americano e sim sul-americano recém saído de uma ditadura de 20 anos e torcendo para que o sandinismo desse certo na Nicarágua, Thatcher e Reagan eram talvez as últimas pessoas na face da terra por quem eu nutriria qualquer simpatia.
Ao sair da sessão do filme A Rainha, confesso que sai sentindo alguma simpatia por Elizabeth II. Não é que Meryl Streep tenha me feito sentir simpatia por Mrs Thatcher, mas confesso que, mesmo não concordando em absoluto com muitas de suas idéias políticas, me senti inclinado a tentar compreender um pouco a pessoa e suas motivações. Acho que essa é uma bonita tarefa do trabalho do ator: dar humanidade as pessoas. Helen Mirren nos apresentou uma rainha comum, inserida no cotidiano do seu palácio de Buckinghan, às voltas com seus parentes complicados, tendo que resolver um problema em função da morte de sua ex-nora, um caso familiar que se tornou um problema político. Mas nos apresentou uma pessoa absoluta comum na qual até quem não tem um teto para morar (quanto mais um palácio) poderia se identificar. Bruno Ganz fez o mesmo com Hitler no filme A Queda.  Nos apresentou uma besta ensandecida e encurralada em seu bunker delirando com uma salvação que não chegaria, mas por mais  monstruoso e pérfido que tal personagem tenha sido e sem nutrir nenhuma simpatia pelo que ele fez e representou, é difícil não ver que ainda assim ali havia um homem. Streep, com a genialidade que é sua marca, faz o mesmo com Thatcher, principalmente nos períodos de decadência física e mental da líder britânica que afinal são o mote condutor do filme. A fita parece ter despertado antipatia em muitos lugares como na Argentina, por ter mostrado uma mulher gentil.  Não concordo. A Thatcher do filme A Dama de Ferro não é gentil, é uma mulher dura, obstinada, radical e intolerante com as opiniões que lhe são contrárias, mas ainda assim um ser humano com toda a sua fragilidade, como a mostrar que por trás de todo o poder, por mais forte que ele possa parecer (e Thatcher de fato foi uma das personalidades mais poderosas do século passado), não consegue esconder o barro e palha de que os homens são feitos.
E por falar em Argentina não vejo com nenhuma simpatia o fato de uma potência européia ainda possuir territórios coloniais em outros pontos da terra como é o caso do Reino Unido com as Ilhas Malvinas, afinal o sórdido colonialismo é (ou pelo menos deveria ser) coisa do passado. Claro que pela proximidade, o arquipélago deveria pertencer a los hermanos e não à coroa britânica. Ao mesmo tempo fico pensando qual o sentido dessa insistência argentina em querer reacender a questão como ocorre agora com o governo de Cristina Kirchner. Até onde eu sei as ilhas são habitadas por cidadãos britânicos que querem continuar a ser britânicos. Ou a população local não conta? A Guerra das Malvinas travada há exatos trinta anos foi uma loucura cometida por uma ditadura assassina já que pelas contas das organizações de direitos humanos produziu mais de 30 mil mortos e desaparecidos, mas estranhamente contou com uma adesão imediata da população oprimida. No começo do século XX o embaixador argentino em Londres havia dito que a Argentina era a mais brilhante jóia do Império Britânico. Não consigo entender essa sanha do país vizinho pelo arquipélago que não lhes pertence há quase duzentos anos. O governo argentino estaria em crise e está projetando a crise para o front exterior como é praxe em vários países?  Frente a isso tendo a ter a mesma opinião do ilustre Jorge Luís Borges ao responder, perplexo pela guerra a envolver os dois países que ele mais amava, que o melhor seria as ilhas à Bolívia que, por não ter saída para o mar, não sabia o significado da palavra Atlântico.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Baile dos Artistas

Bom ir ao  Baile dos Artistas na última sexta-feira e reencontrar o pessoal. Bom rever os colegas de profissão, a maior parte fantasiados como o impagável Leo Mendonza que atacou de "Safada do Dente", se divertindo na medida do possível. Sim, na medidad do possível por que o som não estava lá essas coisas e o atendimento dos bares, para ficar ruim teria que melhorar muito, muito mesmo. É incrivel como um baile que é realizado há tanto tempo erre assim de uma forma tão primária.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Curtas 2

Livros, sempre os livros. No meu último período de férias em Nova Viçosa levei na bagagem três livros que saboreei com prazer por que nem só de mar, água de coco e cerveja vive o homem. Primeiro A Trégua do uruguaio Mário Benedetti, belo romance em forma de diário de um viúvo na casa dos cinquenta anos que está prestes a se aposentar e que redescobre o amor. Benedetti é um dos grandes autores do vizinho Uruguai, país cujo literatura o Brasil praticamente desconhece. Há uma bela referência a ele no filme argentino El Lado Oscuro del Corázon, de Eliseo Subiela que foi exibido recentemente na mostra de cinema em língua espanhola no Belas Artes. O protagonista do filme atravessa o Rio da Prata, de Buenos Aires a Montevideo, entra em um café e pergunta a atendente se ela conhece Benedetti (o protagonista é dado à poesia), a atendente pergunta se o tal Benedetti frequenta o café... Pelo visto Benedetti é meio desconhecido por lá também.
Antes das Primeiras Histórias reúne quatro contos de Guimarães Rosa antes do mineiro ter-se tornado Guimarães Rosa. São contos interessantes e que não tem a menor relação com o universo que o escritor passou a tratar depois de Sagarana.O prefácio é de Mia Couto.
Por fim o livro Imagem de Lúcia Santaella e Winfried Nöth. Um grande e denso painel sobre a semiótica da imagem. Indispensável para quem trabalha com a interpretação dos signos. É conferir.

curtas

Messi foi eleito o melhor jogador do mundo mais uma vez. Cadê a novidade? O fato é que o argentino vem encantando desde que despontou no Barcelona, esse sim um verdadeiro time dos sonhos. Um pouco tarde para comentar, mas não pude resistir. Quem viu a final do mundial interclubes da Fifa viu a enorme distância existente entre os times europeus e os brasileiros. O Santos não viu a cor da bola e o aclamado Neymar (sim, um grande jogador, sem dúvida) ficou parecendo um ratinho em campo frente a um leão chamado Messi. Confesso que, tirando o papelão do Inter que ano passado foi eliminado na semifinal pelo desconhecido Mazembe do Zaire, nunca havia visto um time brasileiro levar um olé daqueles em final de mundial. Lição para o futebol brasileiro como um todo há apenas 2 anos da próxima copa. A imprensa ufanista veio  abafar o vexame dizendo que o Neymar é muito novo (19 anos contra os 24 de Messi). Ok, mas o grande Pelé não foi campeão mundial na Suécia aos 17 anos?

sábado, 7 de janeiro de 2012

Estamos de volta

Promessas para 2012: manter esse blog mais ativo. Prometo postar pelo menos um texto por semana.

2012 começou com muita chuva em Minas Gerais e também muito teatro com a 38ª Campanha de Popularização do Teatro e da Dança. Estarei em cartaz como ator no espetáculo Conversa Séria de Calcinha e Soutien, dirigida por João Valadares. De quinta à domingo na Sala João Ceschiatti no Palácio das Artes.
Para mim é uma experiência nova. Nunca havia trabalhado com máscara antes e devo confessar que esse trabalho de máscaras veio a luz quase que a base de fórceps dado o tempo exíguo que tivemos para remontar o espetáculo.
Sim remontar. O espetáculo havia estreado ano passado com outro elenco. Do escrete original só sobrou Fábio Schimitd. 
Outra novidade é o figurino primário: os atores de cuecas e as atrizes de calcinha e soutien.
Devo confessar que me apresentar seminu e com a barriguinha de fora me deixou, em princípio, meio encabulado. Mas são ossos do ofício. Que bom que pelo menos peguei uma cor no reveillon da Bahia (lá não estava chovendo).
O texto de João Valadares e Anderson Feliciano é livremente inspirado no clássico Entre Quatro Paredes de Sartre.
Uma vergonha esse auto-aumento promovido pelos vereadores de Belo Horizonte. Uma vergonha isso que se transformou o nosso legislativo municipal: uma reunião de nulidades políticas que se beneficiam de nossa falta de organização e de controle.
2012 também é ano de eleições municipais. Precisamos dar um basta nessa gente. O melhor a fazer é não reeleger ninguém.
E como o texto original de Sartre se passa no inferno, em nosso inferno (estou falando do espetáculo Conversa Séria de Calcinha e Soutien) os nossos ilustres vereadores nos fazem companhia. Pena que apenas em forma de piada.
Também estaremos em cartaz com os espetáculos Cuidado:Frágil!, também na Sala João Ceschiatti, de segunda à quarta. 
Já o Auto da Compadecida se apresentará no dia 27 de janeiro no Sesc Palladium e no dia 31 no Grande Teatro do Palácio das Artes.
Conversando ontem com o ator Leonardo Horta (que estará em cartaz na Campanha ao lado de João Valadares com o espetáculo Palhaços) me surgiu a ideia de iniciar nesse blog um debate sobre o tema teatro e diversão. Sim, ontem após a sessão de Calcinha e Soutien ouvimos alguém dizer que "se quisesse pensar ficaria em casa". Ok. Os críticos da Campanha (e são muitos) dirão que a Campanha acostumou o público da cidade a assistir comédias leves e sem profundidade. Tudo bem. Não sei se tais teses são válidas, pois  tendem a considerar o público como um imenso gado incapaz de escolher por si próprio o que assistir e a quantidade de espetáculos Cult presentes na campanha desmentem  um pouco essa história, mas fico pensando se o teatro também não teria desde sempre uma relação com a diversão, com o entretenimento. Fica a ideia para o debate. Se os leitores desse blog quiserem se manifestar...

sábado, 19 de novembro de 2011

Prêmio Sated

Muitos pensavam que ele estava morto (eu inclusive), mas no próximo dia 28 será realizado o prêmio Sesc/Sated que irá contemplar os melhores espetáculos das temporadas 2010 e 2011. Segundo o regulamento do prêmio no próximo dia 22 serão anunciados os indicados para na categoria Teatro. Teremos surpresas?

Curtas

Marcelo Castilho se foi...

Estou fazendo esse comentário um pouco tarde, mas é preciso de um pouco de tempo para que possamos processar nossas perdas.
Marcelo Castilho de Avelar se foi. Como outros artistas que se foram esse ano, Marcelo foi embora como um passarinho. Saiu de cena sem pedir licença, sem avisar ninguém. Atitude típica de um anarquista (ele se confessava um). Uma pena.
Marcelo Castilho era uma das mentes mais iluminadas do teatro mineiro. Quem teve a oportunidade de ter sido seu aluno no Cefar ou na PUC sabe o que estou dizendo. Ele acompanhou minha formação de ator durante os três anos em que passei pelo Cefar sendo por esse motivo escolhido para paraninfo de nossa turma. Para além de seu jeito meio esquisito, arrogante até, escondia um professor em tempo integral sempre disposto a compartilhar o seu saber (que era muito) com seus eternos alunos.
A imprensa cultural do estado, anêmica desde muito, perde um crítico que pelo menos sabia do que estava falando.
Necessário dizer que ele ao lado do grande Elvécio Guimarães foram os professores que mais marcaram minha formação de artista. Não sei se fui um bom aluno, mas sei que aprendi muito com ambos.
Grande Marcelo, mais uma estrela que brilha em nosso céu.